Em algum lugar do mundo o relógio está marcando meia noite. Alguém acabou de tomar um sonífero e deixou cair água no pijama. Alguém deve estar irritado com o choro do bebê do vizinho. Alguns muitos casais devem estar brigando por ciúmes. Outros fazendo sexo. Alguma mãe está rezando pelos filhos viciados em crack. Alguns filhos estão nascendo, outros morrendo. Alguma boa notícia pode ter chegado pelo telefone. Alguém recebeu um email muito esperado. Alguém deve estar se revirando na cama a espera de alguém. Outros se queixando de não ter alguém pra abraçar debaixo dos cobertores. Muitas pessoas devem estar pensando. Você escuta um cachorro latir longe. Uma buzina irritante. Um telefone que não é o seu. Você escuta o mundo todo e só ouve silêncio na sua casa. Minha cama tem andado muito calada, é minha queixa. E nem é por timidez. Alguma barata corre pela viela ao lado. Alguém corre pro seu futuro túmulo a visitar alguém que nem está mais ali. Alguém se declara, alguém se mata. O mundo ainda não dormiu. E quem dormiu sonha. Vive em outra dimensão. E apesar de ser uma noite quente você não sente o calor que gostaria de sentir. Você abraça sua almofada numa esperança de fechar os olhos e acreditar ser alguém. - realmente, Nara, a esperança deveria ser a primeira a morrer. O frio e a ausência cortam por segundos os barulhos do mundo que está fora da sua janela. É o silêncio. O silêncio que você merece. O silêncio que você está cansado de escutar todas as madrugadas. Você não quer ligar a luz. Mas há algo em sua mente difícil de enxergar no escuro. Você cobre o rosto, fecha os olhos. Perde a luta. Você tem pensado muito. Tem pensado muito nela.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
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Em algum lugar do mundo o relógio está marcando meia noite. Alguém acabou de tomar um sonífero e deixou cair água no pijama. Alguém deve estar irritado com o choro do bebê do vizinho. Alguns muitos casais devem estar brigando por ciúmes. Outros fazendo sexo. Alguma mãe está rezando pelos filhos viciados em crack. Alguns filhos estão nascendo, outros morrendo. Alguma boa notícia pode ter chegado pelo telefone. Alguém recebeu um email muito esperado. Alguém deve estar se revirando na cama a espera de alguém. Outros se queixando de não ter alguém pra abraçar debaixo dos cobertores. Muitas pessoas devem estar pensando. Você escuta um cachorro latir longe. Uma buzina irritante. Um telefone que não é o seu. Você escuta o mundo todo e só ouve silêncio na sua casa. Minha cama tem andado muito calada, é minha queixa. E nem é por timidez. Alguma barata corre pela viela ao lado. Alguém corre pro seu futuro túmulo a visitar alguém que nem está mais ali. Alguém se declara, alguém se mata. O mundo ainda não dormiu. E quem dormiu sonha. Vive em outra dimensão. E apesar de ser uma noite quente você não sente o calor que gostaria de sentir. Você abraça sua almofada numa esperança de fechar os olhos e acreditar ser alguém. - realmente, Nara, a esperança deveria ser a primeira a morrer. O frio e a ausência cortam por segundos os barulhos do mundo que está fora da sua janela. É o silêncio. O silêncio que você merece. O silêncio que você está cansado de escutar todas as madrugadas. Você não quer ligar a luz. Mas há algo em sua mente difícil de enxergar no escuro. Você cobre o rosto, fecha os olhos. Perde a luta. Você tem pensado muito. Tem pensado muito nela.
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