Houve um tempo em que olhares eram mais admirados. Sorrisos eram mais observados. E os encantamentos trazidos com a doçura de uma voz poderiam sim estremecer um coração. Ombros à mostra, colos expostos e uma maquiagem a mais, bastavam para que se tornasse deslumbrante a imagem de uma moça. As mãos frias eram um bom sinal, mesmo que constrangedor. Borboletinhas no estômago, boca seca, sinalizavam um ponto inicial de alguma coisa boa e, diga-se de passagem, duradoura. Não era preciso um primeiro beijo. Uma noite de sexo. Era puro. Sim, houve um tempo em que o amor bastava. Nunca encheu barriga, mas bastava. Bastava pra dar brilho à vida, pra alimentar as esperanças diárias, pra consolidar aquilo que a gente, mesmo que verdadeiro, parece ter vergonha de mostrar. Aquilo que arde, feito fogo, feito brasa e queima dentro e tudo, mas não sai. Não se permite sair : sufoca.
Imagino: Um salão num dia de baile. Moças bem vestidas (não necessáriamente comportadas) com seus longos vestidos, suas luvas e coques. Sentadas uma ao lado da outra À espera da mão que lhe buscará para uma inesquecível noite de flerte, corte e olhares. Essa moça passaria a noite toda pensando se aquele flerte não poderia, talvez, ser o seu futuro eterno amor.
Inimaginável pra você, hoje, não?
Inimaginável pra você, hoje, não?
(Pra mim não!)
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