quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Heitor.


Depois do susto vieram os sonhos, os planos, os projetos. Projetos de uma vida inteira, sem interrupções. Começa a construção daquele castelo de sonhos que, de tão grande, toma uma proporção até então nem esperada. Esse castelo se torna uma vida. Uma vida, pequena vida, dentro de outras duas. Duas vidas que se somam pra sonhar e projetar essa nova pequena vida, tão bela, tão frágil, tão simples. Um amor que vem de dentro. De dentro mesmo, um amor habitando um ventre. Dia após dia ali, crescendo, redescobrindo de um jeito mais completo a cada dia, essa novidade tão frágil: a vida. E dentro desse ventre, descobrindo os sons, os movimentos, o amor, a espera, a expectativa que vem de fora. Duas vidas agora unidas, por um elo muito forte, um laço mais que racional, um cordão, o cordão da vida. Dia após dia a espera do grande dia. O dia em que essa pequena nova vida se tornará presente fora do casulo e concretizará aqueles tão frágeis sonhos e planos e projetos idealizados. E é durante essa turbulência de novidades e expectativas que se acaba por esquecer que essa coisa tão frágil chamada vida, as vezes se perde, escorre por entre os nossos dedos, fora de nosso controle. Essa vida, feito cristal, se quebra sem direito a remontagem. E quando esse cristal se quebra, esse sonho se ofusca, esse cordão se rompe, nada há a ser feito. Um fio de vida se esvaindo através de pequenos olhos verdes e mãozinhas com uma força tão bonita, o peito cheio de um ar tão pesado para pulmões tão prematuros.. Uma vida partindo, sem fôlego para chorar. Tão perto da hora certa e tão irreversível quanto a palavra já dita: a morte existe e não há como escapar. E aí estão as ruínas do castelo de sonhos, planos, projetos feitos dias e dias. Ficam então as lembranças, as poucas lembranças de uma vida breve, amada em demasia. E essas lágrimas que agora escorrem quentes pelo meu rosto, meu filho, são por você. São por saudade da nossa pequena convivência. Das conversas, talvez bobas, com a barriga. Dos seus chutinhos ao acordar. Da vontade inexplicável que eu senti de te ter aqui no meu colo, de velar teu sono, de te ver crescer e ser um homem forte, um homem bom, um homem diferente. Mas ainda sim, acima de tudo, acima da sua ausência, da falta que você me faz o tempo todo, eu te agradeço. Te agradeço por ter realizado o maior sonho que eu já tive: o de ser mãe. E sou uma mãe muito orgulhosa pelo filho que tive, um filho guerreiro que lutou, mesmo tendo tão pouca força. E eu estarei aqui, Heitorzinho, lembrando sempre de você. Não se preocupe que onde eu estiver, estarei guardando aqui, no meu coração de mãe, a lembrança do meu primeiro filho. Eu te amo, pra sempre.

Um comentário:

  1. o Heitor deixou muito aprendizado na vida de cada um de nós, saibamos aproveitar.

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