Como se não existisse passado ou futuro eu tenho implorado a ultima gota do presente doente que me resta ainda. Mil km de amor, uma dose etílica e o abismo da interrogação sob meus pés frios: é esse o resumo. Como se o meu espelho não refletisse de volta a insegurança que salta, preenche e transborda de minhas jovens pupilas. Como se a cegueira de Saramago me tampasse os olhos pra que eu não visse o mundo podre, doente, onde, sem escolha, vim parar. Pronto, nasci e vim parar no nada. Sem direito a revogar, enfim. E como se tudo não tivesse uma continuidade irrevogável, como se o sol não fosse mais aparecer, como se o amor não pudesse acabar, como se a morte não existisse, como se a saudade não doesse, como se reconhecimento não fosse necessário, como se aparências não contassem, como se maldade não existisse, como se espinhos não machucassem, como se a vida não fosse real eu sorrio, boto um band-aid e tudo bem.

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