Na minha condição de gente humana, devo esforçar-me diariamente para não ser cruel.
A minha condição de gente humana faz de mim julgadora 24 horas por dia, assim alivio o peso da minha consciência. O pavor alheio ameniza meus medos.
Os defeitos alheios me fazem perfeita. Eu e os outros na mesma condição humana que me pertence não somos iguais, jamais aceitaremos tão desgraça.
Somos incondicionalmente diferentes em detalhes estúpidos.
Também não somos felizes. Felicidade cabe aos animais livres. Somos espertos.
Somos dissimulados. E muito mais sensíveis que girafas.
Respondemos com bombas os nossos desafetos. Gostamos de sentir dor.
Seguimos manual. E sorrimos. Todos muito bem classificados.
A minha condição de gente humana me permite fazer uso de travesseiros
: e de encharcá-los toda noite,
estupidamente entregue a meus medos.
e a essas minhas ausências
mais permanentes
que qualquer outra
coisa.
humana ou não.
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