Eu cresci. Mas mas não se engane, crescer não é algo de se orgulhar.
Amigo, veja só, cá estou aprendendo, logo agora, depois de adulta, a ser orgulhosa.
Aprendi, aliás, isso não é aprendizado, é malícia e faz mal.
Pus-me a negar sorrisos, recusar abraços e fechar os olhos de dentro.
Sabe os olhos que não enxergam, mas sentem?
Feito apreciar um gosto pelo cheiro. Fechei esses meus olhos da alma.
E fim.
Passei a ser isso: sem sal.
É que às vezes, na vida, amigo, a gente desencanta. Desgosta, cansa.
Desiste de sonhar demais e abre os olhos pra realidade que a gente, na verdade,
nem precisa.
A realidade dura, amarga.
Doce de fel.
Eu tentei, eu juro. Mas as janelas um dia se fecham.
Enferrujou, amigo. Minhas portas e janelas se fecharam.
Sem vento, sem lamento, sem tormento.
Fechei, fecharam-me.
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