sábado, 18 de dezembro de 2010

doce de fel*

Eu cresci. Mas mas não se engane, crescer não é algo de se orgulhar. 
Amigo, veja só, cá estou aprendendo, logo agora, depois de adulta, a ser orgulhosa. 
Aprendi, aliás, isso não é aprendizado, é malícia e faz mal.
Pus-me a negar sorrisos, recusar abraços e fechar os olhos de dentro. 
Sabe os olhos que não enxergam, mas sentem? 
Feito apreciar um gosto pelo cheiro. Fechei esses meus olhos da alma.
E fim. 
Passei a ser isso: sem sal. 
É que às vezes, na vida, amigo, a gente desencanta. Desgosta, cansa. 
Desiste de sonhar demais e abre os olhos pra realidade que a gente, na verdade, 
nem precisa. 
A realidade dura, amarga.
Doce de fel. 
Eu tentei, eu juro. Mas as janelas um dia se fecham. 
Enferrujou, amigo. Minhas portas e janelas se fecharam. 
Sem vento, sem lamento, sem tormento. 


Fechei, fecharam-me. 

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