As palavras travaram. Uma a uma entaladas na garganta. Amontoadas, doía. Eram tantas, inúmeras, de vários tamanhos, intensidades, sabores. Mas se negavam a sair dali. Delas escorria o gosto amargo de sentir e não poder. De poder e não falar. De fato, doía. Enquanto eu, de olhos fechados, pensava em como organizá-las de modo a expulsá-las de uma vez, o coração dizia não. Ah, coração. Tem me feito agir em descompasso com o que outrora desejava ser. Tenho me pegado em devaneios tolos madrugada a dentro. Tenho perdido o sono, a fome, as horas, as palavras. Tenho desejado uma vida que não é minha. Não é minha! Talvez fosse um pesadelo, mas nada de acordar. E não passa. Embora seja meu o poder de sim ou não, a luz escassa da minha razão me fez cega. Cegamente inconsequente e frágil.
Eu, infantil, tenho me apaixonado cada vez mais fácil. Pequenas paixões de um dia, umas horas,alguns minutos. Por pequenas coisas, pequenos gestos, rápidos
olhares. Amor não. Amor é só um, ever. Mas essas pequenas coisas
tem me feito mais pequena que as tais paixões, logo incapaz de reagir contra.
Pequenas coisas são as que mais me apaixonam, aliás.
Calor humano, liberdade, vento, destilados, boa música e beijos. Pequenas grandes coisas
que quero por hora. Nada de sentimentos verdadeiramente admiráveis,
compromissos absurdamente sérios, nada. Corpo e mente.
Nada de alma, nada de nome.
Vamos, pequena Larah, cale-se e morra.

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