Sim. Fui (e talvez ainda seja) um muro, um galho de árvore, um bebedouro, um fio de alta tensão, um poste, uma grama, a areia da praia, os céus dos pássaros. Sim. Aceitando ou não, querendo ou não, fui.
E vinham eles me sobrevoar, alçar voos longos, rasteiros, me bicar. E vinham eles, em bandos ou solitários, se esfregar em mim, sacudir as penas, rodopiar, depositar seus minúsculos excrementos disfarçadamente, cantar para mim, fazer longos silêncios, sentir suas pernas machucadas, asas quebradas, roçar seus bicos, morrer em paz
Fui feita para aceitar, acordar e esperar. Eu sempre soube disso. Minhas antenas ligadas, minha constante capacidade de prever atos e passos alheios, sonhar destinos, sentir com antecedência foram presentes a mim ofertados ao nascer; mas paga-se caro por serem tão especiais.
E, mesmo predestinando, eu vivi a pedir desfechos. Desfecha nossa paixão, meu tesão, faz água rolar com razão, desfecha nosso amor, envia-me pombos com cartas longas, longas queixas, verdades quer sejam fragmentadas ou não, dá término, conclui, põe ponto final. Mas os pássaros sempre de nada souberam ou quiseram, preferiram as reticências, ou da poesia, de tudo aquilo que se aspira e não pode, ou aquelas, frutos da ignorância (tão fácil escrever et cetera!). Para mim, isso tudo hoje pouco importa.
E vinham eles me sobrevoar, alçar voos longos, rasteiros, me bicar. E vinham eles, em bandos ou solitários, se esfregar em mim, sacudir as penas, rodopiar, depositar seus minúsculos excrementos disfarçadamente, cantar para mim, fazer longos silêncios, sentir suas pernas machucadas, asas quebradas, roçar seus bicos, morrer em paz
Fui feita para aceitar, acordar e esperar. Eu sempre soube disso. Minhas antenas ligadas, minha constante capacidade de prever atos e passos alheios, sonhar destinos, sentir com antecedência foram presentes a mim ofertados ao nascer; mas paga-se caro por serem tão especiais.
E, mesmo predestinando, eu vivi a pedir desfechos. Desfecha nossa paixão, meu tesão, faz água rolar com razão, desfecha nosso amor, envia-me pombos com cartas longas, longas queixas, verdades quer sejam fragmentadas ou não, dá término, conclui, põe ponto final. Mas os pássaros sempre de nada souberam ou quiseram, preferiram as reticências, ou da poesia, de tudo aquilo que se aspira e não pode, ou aquelas, frutos da ignorância (tão fácil escrever et cetera!). Para mim, isso tudo hoje pouco importa.
S.

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