sábado, 9 de outubro de 2010

Samba, Agoniza, Mas Não Morre

Onde você esteve noite passada? Eu sei, sinto muito, mas não consegui dormir. Não pude sonhar. A noite tava silenciosa demais e bem, você sabe, há barulho demais dentro de mim. Eu senti sua falta lá, naquele amontoado de pessoas sem traços, sem rostos, sem nomes. Você foi a ausência, ontem. A ausência agradável, que me fez lembrar de nós. Mas eu não tive uma boa noite de sono. Minhas pálpebras pareciam tão leves e meu corpo tão pesado. Quem sabe você acorde no meio da noite, encoste teu rosto no meu e perceba minha inquietude. Quem sabe diga que me ama e que também sentiu saudades. A cerveja tava ruim, aliás, é ruim. Mas eu bebi, por não ter outra coisa melhor pra poder distrair a querência da minha boca. Precisava de um sabor. O seu tava longe demais. Talvez por isso passei a noite em claro.


'Acordei' de uma noite sem sonho e sem sono. Coloquei um samba pra tocar, abri o restante da minha janela empoeirada e me cobri. O barulho do ventilador, que antes era um escândalo, parecia não mais incomodar. Senti vontade de sambar, mas não. O telefona ainda não tinha tocado: eu estava só. A próxima música é boa, tem letra, é samba e é do Chico. Homem de voz não tão bonita, mas um poeta do sorriso mais bonito e dos olhos mais azuis. Meu.





eu ainda não dormi.

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