Tenho consciência o tempo todo da minha fraqueza, sei da pessoa que tento ser e que nem sou. Sei da fome que sinto. Porque morro aos poucos por nunca encontrar a fonte. Não chega a ser escassez e nem vai ser deserto. Nasci e vim parar no nada. Mas mesmo assim carrego comigo esse espinho pra mostrar minha tolerância. Uma tolerância tão falsa e que na verdade eu nem tenho, mas ainda sim imploro ao resto do mundo. Tudo é aparência, vaidade, beleza morta, cacto e calango .. Tanta gente é tão pouca coisa, pareço uma artista a cercar e proteger o ego, como uma mãe protege os filhos, como um traficante protege a droga. Não quero ter que justificar a ninguém o que me tornei, porque isso não é da minha conta. Não só minha, pelo menos. É que a gente vai andando e escolhendo os caminhos. Às vezes, às cegas, entramos por alguns sem perceber e acabamos gostando. É assim. E nem quero justificar minha condição que é às vezes repulsiva aos olhos. Aos olhos até de próximos. De próximos que nem sequer lavam a boca antes de julgar nos outros seus piores defeitos. De próximos que fazem caretas quando escutam minha lascívia. Daí que surge meu norte, da vontade alheia e hipócrita de sofrerem como eu sofro, de não entenderem a obsessão e a distância que isola, ninguém se junta. E de pensar que não é só sexo, porque na verdade é isso que pensam. É bem mais profundo. Bem mais intenso. E que sexo é só a porta de entrada: oi, eu te amo, posso me abrigar? Enão, pequeno burguês, a nudez deveria ser tendência natural. E você sem roupa não é nada, não é? Então, feche seus olhos e saia, pois minha vagina não é porta pública, nem mar. Fere.
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