quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Da sessão: cartas/2

Vô 

  Não sei como as coisas foram acabar assim. Sem eu perceber vô, fui ficando triste, triste, triste, vazia, o mundo ali e eu me fechando pra ele vô, e tu aí né vô... Me observando.
Desculpa vô, se não passei tempo suficiente com o senhor. Não passei né vô? E hoje eu sei que todo tempo do mundo ainda é pouco né, e a gente acha que tem um vidão pela frente e de certa forma acredita que as coisas são eternas, doce engano né vô? Desculpa vô se estava ocupada demais com nada para ir ao seu aniversário, desculpa vô por não ir todas as vezes que pude a sua casa, eu achava mais bacana passar meu tempo com a galerinha do que contigo, como eu fui burra vô. Desculpa vô se não prestei atenção no teu  sotaque e nas coisas que aparentemente pra mim eram bobas, mas mal sabia eu, eram muito sábias. Lembro daquela vez vô, que quando pequena sujei meu vestido todinho , manchei ele e o senhor disse pra mãe que não era minha culpa né vô, eu lembro de como o senhor ria pra mim e dias depois mal conseguia mexer a boca para mostrar os dentes. Mas não se preocupe vô, eu via nos teus olhos, eu via teu sorriso, tuas piadas neles. E eu via orgulho neles vô , até mesmo admiração, obrigada vô por me ter feito sentir isso. E me desculpa de verdade vô , eu poderia estar lá, eu poderia estar, mas a gente sempre acha que vai dar que vai dar que outras oportunidades vão vir né vô? Mas não vieram vô, e eu não tenho como voltar.
Sabe como são esses correios de hoje em dia, e o senhor nunca se acostumou com a tecnologia né vô? Eu sei... Tenho receio de que quando essa carta chegar teus olhos já estejam cerrados e nunca mais abram vô, e aí vô eu vou ter que te pedir desculpas mais uma vez por nunca ter tido coragem de te dizer todas essas coisas vô. Eu te amo. E sinto saudades.
                                 
 
Sua netinha, Larinha.

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