terça-feira, 3 de agosto de 2010

Hoje um rapaz me abordou na rua dizendo que não era o demônio. Olhou em meus olhos e pediu-me pra não deixá-lo morrer e, disse ainda, que o ateariam gasolina e o queimariam. Tentei acalmá-lo. Percebi que não era e não estava normal(que engano!). Eu o disse que nada lhe aconteceria e que ninguém o iria matar. Perguntei então se não teria família, casa, lugar. Ele me disse: ninguém me aceita, eu sou o demônio né? Por várias vezes o respondi que ele não era o demônio, tentando o convencer disso. Ele perguntou então se eu achava o demônio feio. Eu respondi não saber. Enfim. Ele me disse que o matariam, que estava ciente, mas que não tinha medo. Só queria que acreditassem que ele não era o demônio. A família desse rapaz o colocara na rua por ser 'louco'. E, pelo que me disse o moço, meio trêmulo, o ameaçam de queimá-lo toda vez que retorna pra casa. E, ainda sim, esse rapaz não sente medo. Só queria morrer com dignidade. Foi o que interpretei. Quem está na chuva e tem medo de se molhar? Quem coloca a mão no fogo e tem medo de se queimar? Quem vive e tem medo de morrer? Ele não. Nós sim. Loucos somos nós : nunca conheci alguém tão normal quanto esse rapaz. Que deus o proteja.

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