domingo, 15 de agosto de 2010

domingo*

O dia amanhece e clareia escandalosamente o vazio ecoante do meu(pequeno)cômodo de repouso : o Sol quer ser visto. O dia lá fora não traz maior brilho ou menor esperança que o sábado de ontem. As vozes nas ruas são as mesmas, os passos pela sala de estar, os rostos da tv, os medos de outrora. Um dia a mais é um dia a menos. E é difícil assimilar a expressão desse fato. Fosse estória ou fosse sonho, o fim é o mesmo. A chuva sumiu na previsão meteorológica, as nuvens deixam o horizonte e abrem caminho ao domingo de hoje. Ao nosso domingo. Ao nosso novo dia a menos. Viver - pois que é a palavra simples e essencial de cada dia. De cada domingo, nosso. Vida: guie meu verso, meu gesto, meu avesso. E até pra morrer é necessário isto: viver. Cada domingo, nosso. De cada infinito beijo, de cada instantâneo orgasmo, de cada passageira paixão, pois, possa eu extrai o brilho. A luz de cada centímetro que restar de domingo, de vida. Mesmo que não útil ou visível. Dure ou não, mas tenha a luz.

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