sábado, 19 de junho de 2010

à Saramago.

"Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas e seres, tomando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis." Trecho da obra Ensaio sobre a Cegueira Homem de incomparávem cultura e sensibilidade. Escritor ímpar, admirado em todo mundo, deixa tristes seus leitores e um espaço vago na Literatura Portuguesa a quem, com seu trabalho e arte, deu o primeiro Prêmio Nobel.

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