segunda-feira, 28 de junho de 2010
Paasou o percurso olhando para ela. O percurso era curto, mas cansativo. Sob o Sol das 14h e entre os carros apressados da cidade em caos. Tentou ser discreta. Uma mulher pode sofrer com a dúvida de estar sendo observada ou perseguida. Nesse caso ela sabia bem que não se tratava de perseguição. Mas com mulheres é sempre bom ter o máximo de cautela. Jurou que ela correspondia. Ainda não havia percebido ser observada, mas achava estar sendo correspondida. Talvez em pensamento. Ela pensou que se olhassem para o mesmo ponto, ao mesmo tempo, seria um sinal de que seria para sempre. Não pensou que seria preciptado, suas vidas uniram-se há alguns anos já, mas ela tinha essa mania de buscar sinais e procurar significados. Por exemplo, gostava quando andavam ao mesmo passo, não sabia o significado disso, mas sentia que era bom. Ou quando diziam a mesma coisa ao mesmo tempo. Sentia que essa sintonia era algo bom. Observava-a em cada mínimo detalhe, a luz do Sol ajudava-a a notar traços, poros e pintas que à noite não seria possível perceber. A olhava imaginando qual filme ela gostaria de ver. Qual música combinaria com esse momento. E se surpreendia com tal peso: Ela era sua. Era um peso leve e agradável. Trazia-lhe até um certo orgulho. Orgulho esse que a levava se ter algumas sensações estranhas, como calafrios e mãos suadas. Mas sabia bem o que isso significava. Quando percebeu que a possibilidade de mudar suas vidas estava ali, ao seu lado, olhando concentrada ao atravessar a rua, a caminho do colégio, entendeu o quanto era pequeno qualquer observação. É bem raro ver todo seu passado e futuro, assim, ao lado.
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