sábado, 29 de maio de 2010

Quanto a ela (em mim)

Ela diz que não gosta do teu corte de cabelo, você muda. Ela te pede pra conversar quando você está com sono, você se desperta e a ouve atenciosamente. Palavra por palavra. Ela diz que você não fica bem com a franja presa, você aprende e só deixa solta. Ela pede pra usar seu ultimo guardanapo, você até faz questão de limpar-lhe o canto da boca. Você a observa de perto, os movimentos dos olhos, os poros do rosto, os fios de cabelo soltos pelo rosto. E você faz questão de nem piscar, pra garantir que não perdeu nada. Toda vez que você sai de casa espera encontrá-la em algum lugar, por mais improvável que isso seja. Sempre a espera pra dormir, mesmo sabendo que ela não virá. E você se acostumou com isso, a esperar por ela. Você sonha em levá pra conhecer os lugares da sua infância, a praia que você viu na tv, restaurantes bonitos, aquela praça de onde a vista de lua é mais bela. Na verdade, você deseja um dia poder levá-la pra todos os lugares aonde você vai. E é exatamente isso que você faz, mas do seu jeito. Carrega-a dentro de você, pra todos os lugares. Não dentro do peito, como os outros dizem, porque não cabe. Carrega-a marcada em você a ferro, fogo e brasa. Tatuagem não, porque desbota. E você sabe que em você ela não vai desbotar. Tem tanta certeza disso quanto a de que o sorriso dela é a melhor parte da sua vida. Ela bagunça sua vida inteira e você entra no jogo, porque você a ama tanto, tanto.

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